Opinião

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Há 2 Comentários

  1. Neli Vasconcelos em 04/01/2013 às 15:34

    O EstadoNotícias está de férias.Pena não ter avisados aos leitores.Férias merecidas.Bom aproveitamento.

  2. Nome* em 09/10/2012 às 16:14

    CRIMINALIZAR O FALSO APOSTOLADO
    (Eliah Duarte, advogado – eliah@uol.com.br)

    Bem recentemente recebi pela internet um vídeo sobre acontecimento que me pareceu mais do que surpreendente: o fiel de uma igreja agradecia haver Jesus pago sua dívida bancária de dezoito mil reais. Para isso, exibia o comprovante do depósito na conta. Em seguida, endossando o pastor as palavras do gratificado divino, aclamou a turba ao milagre: “Jesus pagou a sua dívida. Estão vendo?… Jesus paga as dívidas. E esta não é a primeira vez !!!”.

    O cúmulo dos cúmulos! De há muito gasto algum tempo das madrugadas divertindo-me pelos canais de televisão que reproduzem as reuniões dessas igrejas. Fico pasmo ao ver como somente pela alegada assiduidade àquelas igrejas, são centuplicadas as “curas” de câncer, de tuberculose, de AIDS, de enfisema pulmonar, de lepra, da diverticulite do intestino, do enfarte do miocárdio; dos rins que estavam paralisados, mas voltam a funcionar, das pernas que não se moviam, mas passam a andar; dos braços que não abraçavam, mas que passam a abraçar; dos olhos que, cegos, passam a enxergar; do desaparecimento de cálculos dos rins; do fígado que, cirroso, ficou saudável, etc.

    E descambando para o milagre de ser encontrada a felicidade ampla e irrestrita, noticiam que o doente, ao comparecer na igreja, encontrou não apenas a saúde, mas a família, também, posto que estava na pior das misérias, mal tendo o comer do dia, mas que, depois de frequentar a igreja, atingiu em cheio a fartura econômica, tornando-se possuidora de razoável fortuna.

    Boquiaberto, vejo também o casal que brigava todos os dias, não se entendia de modo algum, mas quando passou a freqüentar a igreja, surgiu, como passe de mágica, a conciliação, o amor, a harmonia conjugal inimaginável. A televisão não se cansa de exibir os “milagres” acontecendo a cada minuto. Uma igreja universalmente conhecida, já foi alvo de dura fiscalização da Receita Federal e de investidas solenes e pesadas dos tentáculos policiais, mas de tudo conseguiu se safar, continuando a ostentar um aparato de inigualável riqueza, com propriedades, fazendas, aviões particulares, helicópteros, estações transmissoras de rádio e de televisão, tudo com o silente apoio de politiqueiros que desfilam na sustentação desse desaguar de mazelas e riqueza, com lastro na enganação do público. E essa enganação é atroz.

    Coisa de poucos meses atrás, e disso sou eu próprio testemunha, um “apóstolo” com seu chapelão e toalha a enxugar o suor, de fala tonitruante e que se orgulha de estar com sete mil sucursais da sua igreja espalhadas Brasil afora e até no exterior, passou dois fins de semana em Fernando de Noronha à bordo do seu jatinho particular e na melhor das Pousadas da Ilha.

    É o esbanjamento irrefreado de um dinheiro recolhido dos fiéis, é claro! Um outro “apóstolo”, este sim, de fala mansa e compassada, vai à televisão e se diz orgulhoso de poder reunir cinco, seis milheiros de fiéis para orar no seu “campus” (obviamente recolhendo as “ofertas”), e assim por diante. Qualifico esses pastores, bispos e apóstolos, como os imunizados pela Constituição, os que não sabem o que é pagar impostos sobre a riqueza de bilhões que acumulam, proprietários de bens das mais variadas qualificações, franqueadores de “franquias” caríssimas, que espraiam os seus braços gerações afora, como se fossem estabelecimentos comerciais como outro qualquer.

    Mas o estonteante, o espetacular de tudo isto, não é o ver caminhar as hordas fiéis ao convencimento milagreiro, nem a prática do curandeirismo, da medicina falcatruada a cada minuto e da enganação do povo a cada segundo.

    É o silêncio do Ministério Público ou de quem lhe faça as vezes, da cegueira em não se criminalizar a prática dita religiosa desse “apostolado” estelionatário que progride a largos passos e para o qual recuso-me terminantemente silenciar.

    Não me permito enganar ou ser enganado. Seria eu o único vivente a testemunhar a enganação revelada nos canais de televisão, o estelionato religioso praticado a céu aberto e a afronta à dignidade intelectual da sociedade? Na véspera de tornar-me octogenário, fui atingido por uma moléstia vaticinada por meu pai, useiro em aforismos: “Filho, nessa idade, nada mais se esconde. Todas as verdades podem ser descobertas”.

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